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Calendário mágico: Setembro — História e Análise

A primeira coisa que chama a atenção em Calendário mágico: Setembro de Manuel Orazi é a estranha fusão entre calendário e encantamento, onde o ritual cotidiano de marcar o tempo é invadido pelo arcano. Uma grade de calendário, meticulosamente escrita, é flanqueada por instruções, orações e símbolos crípticos, mas é o painel da direita que te transporta para um mundo mais sombrio. Ali, sob uma pálida e ominosa lua, uma figura semelhante a uma bruxa emerge da penumbra, segurando um objeto vermelho brilhante—uma lanterna, talvez, ou um talismã.

Acima dela, um rosto selvagem em forma de estrela flutua ameaçadoramente, seu rosto é tanto máscara quanto lua, seus membros estendidos em uma dança antinatural. A composição é um emaranhado deliberado do racional e do irracional: a ordem do calendário é assediada pelo caos, rabiscos e a palavra “ABRACADABRA” repetida como um feitiço que se recusa a ser contido. Esta obra se encontra na encruzilhada do fin-de-siècle parisiense, quando artistas e escritores estavam cativados pelo oculto, pelo místico e pelo fantástico. Produzida em 1896 e publicada em Paris pela Imprimerie Lemercier sob a bandeira do Art Nouveau, faz parte de uma tradição que se deleitava no decorativo e no estranho, inspirando-se tanto na bruxaria medieval quanto nas inovações visuais da época.

Calendários como este—especialmente aqueles que misturam imagens esotéricas e função prática—eram raros, frequentemente encomendados por colecionadores privados ou pequenas editoras ansiosas para cortejar a fascinação da moda por feitiçaria e simbolismo. Pouco se registrou sobre a jornada desta peça em particular, mas sua presença hoje na Bibliothèque nationale de France é um testemunho da fome da época pelo misterioso. Deixe seu olhar se demorar nos detalhes: cada floreio e sombra é um convite para imaginar os rituais ocultos de outro setembro.

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