Fine Art

O assassinato por Bernabé Manrique — História e Análise

Um grito de “Horrível assassinato!” salta do topo da página, puxando o espectador para uma cena de violência e acusação. No centro, um homem com um chapéu de aba larga levanta uma adaga acima de uma figura caída, enquanto outro se agarra à cabeça em horror. A composição está cheia de símbolos: dois demônios, com suas caudas enroladas, parecem incitar o assassino, enquanto pássaros—talvez pombas—voam acima, como se fossem testemunhas ou juízes.

A borda da impressão, ornamentada e quase festiva, emoldura um momento de caos, seu padrão decorativo em desacordo com a brutalidade interna. Cada linha está carregada de energia, o hachurado das figuras ecoando a agitação do evento. Esta impressão pertence a um mundo onde notícias e espetáculo eram inseparáveis, e onde o cartaz—impresso de forma barata e amplamente circulado—servia tanto como aviso quanto entretenimento. Por volta da virada do século XX no México, artistas como José Guadalupe Posada se tornaram famosos por tais obras, misturando reportagens sensacionalistas de crimes com uma crítica social mordaz.

O texto abaixo, denso e ofegante, narra o parricídio atribuído a Bernabé Manrique, com seus detalhes escabrosos situados em Zapotiltepec. Embora pouco se registre sobre esta folha específica, sua presença na coleção do Museu Metropolitano de Arte hoje fala do poder duradouro da cultura de impressão popular—uma tradição que tornou até os eventos mais chocantes disponíveis a todos, pelo preço de um centavo. Olhe novamente para os demônios: eles são torturadores ou os verdadeiros autores da cena?

Mais obras de José Guadalupe Posada

Mais arte de Arte Figurativa