Fine Art

O Grande Panteão do Amor — História e Análise

Uma página turquesa está repleta de figuras esqueléticas, cada uma vestida com as finas roupas de suas vidas terrenas: matadores, generais, amantes e damas, todos desfilando por um carnaval de cortejo e mortalidade. O mais impressionante é como os mortos se divertem alegremente: chapéus inclinados, braços entrelaçados, olhos arregalados com uma alegria vazia. As figuras não são tristes, mas animadas, seus sorrisos ósseos sugerindo que o amor, a rivalidade e a vaidade persistem mesmo na sepultura.

Cada vinheta emparelha um casal ou uma figura solitária com um breve verso, convidando o espectador a ler as histórias por trás da pose de cada esqueleto: o bravado de um toureiro, o lamento de um amante ciumento, um par de dândis comparando notas. A disposição vibrante de texto e imagem atrai o olhar em um ziguezague, recusando-se a deixar o espectador descansar em qualquer tristeza ou piada por muito tempo; a corrente subjacente de teal dá a toda a cena uma sensação de brincadeira e frio. Esta impressão pertence a um mundo onde a morte não era escondida, mas zombada, serenada e tornada familiar, especialmente no México na véspera da revolução. Por volta de 1910, impressões como estas — frequentemente produzidas pela oficina de Antonio Vanegas Arroyo e ilustradas por José Guadalupe Posada — eram vendidas nas ruas, coladas nas paredes e lidas em voz alta para risadas e advertências.

Elas falavam a um público amplo, zombando de políticos, amantes e os recém-ricos, lembrando a todos que a morte é o grande nivelador. O Museu Metropolitano de Arte agora possui este exemplo, um testemunho de como o humor e a sátira social podiam ser aguçados pelo sorriso do esqueleto. Deixe seus olhos vagarem entre essas calaveras e pergunte-se: que história você reconhece e que máscara você poderia usar?

Mais obras de José Guadalupe Posada

Mais arte de Arte Figurativa